quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DE CARÊNCIAS E VÔOS


“Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...”
William Shakespeare

Esse trecho do Shakespeare reflete o que penso atualmente, mas infelizmente meu sentimento ainda não sintonizou com meu pensamento ou pelo menos a minha carência, quando ela aparece, faz questão de não entender isso.
Sim, porque quando estamos carentes a vontade é de exigir que o mundo ande rápido pras coisas acontecerem. Queremos o amor e queremos pra hoje, ou melhor ainda, pra ontem. Paciência que nada!
E de onde vem a carência que nos aumenta a ansiedade?
Vem das nossas necessidades não supridas, dos nossos desejos não realizados, dos nossos débitos com a gente mesmo.
E como consequência, projetamos (uma ou várias) expectativas nos nossos parceiros, esperando que eles tenham a fórmula mágica para nos satisfazer, para cobrir nossas faltas. Esperamos o Príncipe (ou Princesa) Encantado que vai chegar num cavalo branco – ou numa versão mais moderna num carrão importado como no filme “Uma linda mulher” – para nos salvar das nossas misérias.
Dessa forma, colocamos uma responsabilidade que seria nossa, nas costas de outra pessoa, que por mais bem intencionada que seja, não deveria carregar esse peso. Relacionamentos deveriam ser pássaros em vôo e não engaiolados, aproveitando a metáfora de alguns textos de Rubem Alves.
E antes mesmo de ter relacionamentos em vôo, eu me lembro que eu mesma quero SER pássaro em vôo! E estou ainda aprendendo a bater minhas asas...
Por isso, sempre que sinto essa falta, essa carência de ter um parceiro, procuro lembrar de me perguntar o que posso fazer por mim mesma? O que estou precisando neste momento?
E desde ontem me lembrei que estava me devendo investir no meu projeto de “Aprendiz de Escritora”. E então saiu este texto.
Bem, ainda continuo desejando parceria, mas em primeiro lugar estou cuidando das minhas necessidades, para que eu tenha “boas razões para que gostem de mim”.
 Adriana Freitas

sábado, 4 de junho de 2011

CUIDAR DO PLANETA... OU CUIDAR DO SER?

Sustentabilidade é o assunto em voga e em moda. Muitas empresas têm usado essa idéia mais como marketing do que como mudança de pensamento. Esses movimentos são válidos, porém não são suficientes na medida em que afetam apenas alguns comportamentos e não fazem uma mudança profunda de consciência. Em busca desta mudança, fóruns tem sido realizados, como o  “IV Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade” foi realizado em BH, dia 26 e 27 de maio de 2011, com pensadores importantes trazendo suas reflexões e discutindo idéias com a população interessada.
Caso você seja uma dessas pessoas que se sensibilizam com a sustentabilidade, deve estar preparado para enfrentar a grande massa ainda desligada da problemática planetária. Será necessário enfrentar todo um contexto que não mudou e seus esforços serão maiores para agir sustentavelmente.
Tomo como um simples exemplo a reciclagem. Eu separo o lixo reciclável na minha casa, mas no prédio onde moro não existe separação, no bairro onde moro não existe coleta seletiva e não há nenhum coletor para depositarmos os recicláveis. O que eu tenho feito é carregar a sacola de recicláveis até encontrar um catador para doá-la. Quando eu morava na casa da minha mãe, eu separava, mas ela não. E pra piorar, colocava os recicláveis para serem levados pelo coletor de lixo comum. Acho que ainda me falta a iniciativa para fazer uma micro campanha nos meus contextos de relação. Dessa forma, ter uma ação consciente requer um desejo verdadeiro, que perpassa primeiro pela conscientiz-ação.
Acredito que o maior desafio é que, para cuidar do nosso planeta, precisamos primeiro aprender a cuidar de nós mesmos, em todos os sentidos: das nossas carências, das nossas necessidades, dos nossos medos e ansiedades, das nossas loucuras e insanidades, de nossas idéias, de nossos sentimentos e emoções... Por detrás do desmazelo com o planeta, existe primeiro um abandono do ser humano consigo mesmo, deixando-o perdido em buscas ansiosas sustentadas pelo capitalismo desenfreado e por anestesias oferecidas pelas diversas compulsões.
Educação se faz necessária! A busca do SER se faz urgente! Mas a escolha é de cada um, isso se chama livre-arbítrio!
 Adriana Freitas

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PAIXÃO PELA CULINÁRIA

Comecei minhas primeiras receitas, ainda adolescente, quando assumi as responsabilidades pela cozinha da casa da minha mãe. Combinei com ela que cozinharia o almoço, já que minha faculdade era a tarde. Nesse período aprendi somente o trivial e com o tempo, a rotina foi me desgastando a ponto de perder todo prazer de cozinhar. Com a vinda do trabalho, abandonei a rotina, mas ainda não era o momento de retornar à cozinha ou quando retornava, ainda me valia do trivial.

O primeiro chamado para minha mudança em relação a comida começou com as idas ao Café com Letras (BH) com meu amigo do coração Bruno, onde saboreávamos aquelas receitas deliciosas.

Um segundo passo, veio com a chegada de um grande amigo, o Felipe, que é um chef de cozinha muito especial. Nossas conversas sobre receitas e sabores, onde ele me ensinou (e ainda ensina) vários truques de temperos, o que combina com o que, o uso de iguarias, começaram a mudar o paradigma da comida na minha vida.

Mas somente após a minha mudança pra morar sozinha, ao poder colocar a culinária em prática com mais facilidade e quando quisesse, é que descobri uma grande paixão por cozinhar, e por descobrir sabores. Hoje mesmo estava, há pouco, procurando receitas na internet, para, a partir delas, ter idéias que comporão uma nova experiência. Isso mesmo: experiência.

Outro prazer que combina com a cozinha é receber amigos. Até minha amiga Carol, que eu sempre convido para ser minha cobaia (rs e ela sempre aceita de muito bom grado!) me deu uma cerâmica, trazida de uma de suas viagens a Colonia no Uruguai, com os seguintes dizeres: “Un aplauso para la cocinera!”. Ahh eu achei o máximo! rs e é claro que pendurei na parede da sala onde compartilhamos os sabores.

Todo esse prazer é fundamental na minha vida hoje.

Há poucos dias terminei de ler um livro do Flávio Gikovate, “Deixar de ser gordo”, e concluí o quanto as pessoas hoje, dentro da ditadura da beleza que lê-se magreza, deixaram de viver o prazer da comida e passaram a viver num padrão privativo, ou seja, mesmo sendo magras, as pessoas têm mente de gordas e vivem pensando em dietas e calorias. E Gikovate conclui que é a mudança da lógica da comida, de restrição e contenção para prazer, que faz com que as pessoas deixem realmente de ser gordas, seja fisicamente seja mentalmente.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A BANALIZAÇÃO DOS CENTAVOS

Todos nós já colecionamos histórias de centavos perdidos e centavos ganhos em nossas compras do dia a dia. Normalmente a perda é maior.

Fico pensando se somente eu fico revoltada com a falta de atitude governamental a esse respeito ou se outros cidadãos têm esses mesmos questionamentos. Se hoje não se fabricam mais moedas de R$0,01 (um centavo), os preços deveriam passar a ser múltiplos de 5, ou seja, sempre arredondados para cinco centavos, o que acabaria com aquelas promoções ilusórias de preço vírgula 99 centavos.

Pode até ser mesquinharia da minha parte, mas imaginem o que isso gera num montante nacional? Se todos os dias perdemos no mínimo 0,02 centavos, quanto daria isso multiplicado por milhões de brasileiros? Para onde vai essa grana toda? São perguntas sem respostas para mim.

Vivo isso mas não concordo com isso! O que fazer? Denunciar onde? Pra quem? Quais autoridades seriam competentes pra lidar com esse problema?

Segue aqui então o meu protesto!